Plano de estudos do primeiro semestre de 2012

Já está disponível nosso plano de estudos do semestre. Às pessoas interessadas em participar pedimos que nos enviem seus endereços de email para que possamos adicioná-las à nossa dropbox que contém os textos a serem trabalhados.

Materialismos – Correlacionismo, ontologia e ciência na filosofia contemporânea

 

1.       Coordenador do grupo:  Prof. Dr. Rodrigo Guimarães Nunes (PhD, Universidade de Londres), bolsista PNPD/CAPES no PPG em Filosofia da PUCRS.
2.       Linha de pesquisa: Imanência e Ontologias Pós-Críticas (CNPq).
3.       Grupo de Pesquisa: Materialismos – Correlacionismo, ontologia e ciência na filosofia contemporânea (http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0006701GPX6ISZ)

4.       Encontros: Quinzenalmente, às Quintas-Feiras
5.       Horário dos Encontros: das 14h30 às 18h.
6.       Público alvo: Pesquisadores e Estudantes de Pós Graduação em Filosofia e interessado(as) de outras áreas.

7.       Local: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) – Prédio e Sala a serem definidos.

8.   Ementa:
A partir dos anos 1980, uma série de polêmicas opôs a filosofia continental contemporânea (e em particular a recepção anglo-saxã do pensamento francês) à ciência, supostamente trazendo à tona uma linha divisória definitiva entre o “realismo cientifico” e o “construtivismo social” “pós-moderno”. Hoje, pode-se ver como a virulência do debate de então acabou por reforçar aquilo que suas posições tinham de pior: de um lado, um endurecimento que, por vezes, sacrificou a auto-crítica e a abertura em favor da afirmação de um realismo empobrecido e de uma visão ultrapassada, reificada, do real funcionamento das ciências; por outro, uma ênfase exagerada na idéia de “construção social” que parecia negar qualquer valor à noção de objetividade, não apenas incapacitando a filosofia na discussão do potencial heurístico da ciência, como isolando-a em pontos cegos em relação as suas próprias pressuposições.

O reconhecimento dos excessos passados, bem como a relevância adquirida por novas áreas de pesquisa científica não necessariamente correspondentes ao paradigma moderno de objetividade, causalidade etc., fazem com que um novo campo se abra para pensar, uma vez mais e de maneira mais produtiva, as relações entre filosofia e ciência, e o que uma pode pensar com a outra. Do lado da filosofia continental, é crescente o consenso de que o dito “pós-modernismo” – que quando da sua nomeação já era um termo inadequado para cobrir uma diversidade grande de posições, muitas das quais jamais aceitaram o rótulo – é um episodio encerrado; e que o programa radical do “construtivismo social” jamais deixou de deparar-se com um “resto” que punha, novamente, à baila noções como objetividade, corpo e matéria.  Existe, em particular, uma tendência crescente a buscar realizar o projeto imanentizador da modernidade através de um repensar do materialismo – onde, justamente, o problema do que vem a contar como “matéria” é o que se torna objeto do esforço filosófico; e se torna a debater a oposição entre uma imanentização pela via correlacionista (que conduz aos diferentes modelos de construtivismo) e uma imanentização pela via materialista (que evita, ao mesmo, abraçar qualquer forma de “realismo ingênuo”).

Seja na aproximação com a biologia e a física contemporâneas (Deleuze, Stengers, Ansell Pearson, DeLanda), com a ciência cognitiva (Maturana, Varela, Protevi), com as teorias dos conjuntos e das categorias (Badiou), com a questão da ciência e da técnica em geral (em Latour, em Stiegler), no “realismo especulativo” de Harman, Meillassoux, Brassier e Grant, na revalorização de autores como Bergson, Whitehead e Simondon, seja no impacto de autores como tais nas ciências sociais, há hoje uma redescoberta da ontologia e de uma especulação metafísica informada pelos desenvolvimentos científicos mais recentes e em diálogo aberto com vertentes da tradição analítica. Uma tendência que não consiste, evidentemente, em um simples “retorno” – que seria um mero “esquecimento” dos fatores que determinaram as trajetórias por vezes divergentes, por vezes convergentes, de ciência e filosofia, tradição analítica e continental –, mas trabalha rumo a uma redefinição das fronteiras entre essas áreas. E, como não poderia deixar de ser, da própria tarefa da filosofia.

O grupo de pesquisa Materialismos – Correlacionismo, ontologia e ciência na filosofia contemporânea pretende criar, no PPG em Filosofia da PUCRS e com pesquisadores de outras instituições, um espaço de discussão na intersecção entre tradições continental e analítica, onde questões abertas pela filosofia contemporânea possam ser criticamente debatidas.

Mais especificamente, ele busca familiarizar os participantes com alguns debates e autores contemporâneos; e estimular uma cultura de debate, pluralismo e engajamento crítico para além das fronteiras de disciplinas e tradições. Além disso, propõe-se a oferecer um espaço de apoio e intercâmbio para as pesquisas individuais de seus participantes, através de encontros regulares de um grupo de leitura e da promoção de eventos de âmbito local e/ou com a participação de pesquisadores de fora da PUCRS.

 

10.   Datas e Sugestões de leitura para os encontros:


29/03:

ALTHUSSER, Louis. Lênin e a Filosofia. Estampa: 1974.

____. A Querela do Humanismo. Disponível em: http://www.marxists.org/portugues/althusser/1967/humanismo/index.htm#ne1


14/04 e 26/04:

MEILLASSOUX, Quentin. After Finitude, trans. Ray Brassier, Continuum, 2008.


10/05 e 24/05:

GABRIEL, Markus. The Mythological Being of Reflection – An Essay on Hegel, Schelling and the Contingence of Necessity. In: Mythology, Madness, and Laughter: subjetivity in German Idealism. Continuum, 2009.

_____. Transcendental Ontologies: essays on German Idealism. Continuum, 2011.


14/06:

GRANT, Iain Hamilton. Does nature stay what-it-is? Dynamics and the Antecedence Criterion. In: The Speculative Turn: continental materialism and realism. Re-Press, 2011.

SHAVIRO, Steven. The Actual Volcano: Whitehead, Harman and the problem of relations. In: The Speculative Turn, 2011.

HARMAN, Graham. Response to Shaviro. In: The Speculative Turn, 2011.


21/06:

PROTEVI, John. Adding Deleuze to the Mix. Phenom Cogn Sci (2010) 9:417-436.

____. Political Affect. University of Minnesota Press, 2009 (excertos).


05/07:

SHAVIRO, Steven. Without Criteria: Kant, Whitehead, Deleuze, and Aesthetics. MIT, 2009 (excertos).

Debate de textos elaborados por integrantes do grupo.

Sobre charles borges

Vez por outra escrevo alguma coisa
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5 respostas para Plano de estudos do primeiro semestre de 2012

  1. Reblogged this on Ethics WITH Ontologye comentado:

    Our inquiries on ontology, materialism, and correlacionism will start on Thursday, 29!

  2. Carlos Araujo disse:

    Caro professor,

    Estudando no sexto período de licenciatura na UFAC -IFIS Acre, gostaria de lhes pedir informações sobre o Grupo Materialismos – Correlacionismo, ontologia e ciência na filosofia continental contemporânea , uma vez que temos intenso interesse nos problemas propostos pelo Grupo. Ademais, estamos a estudar alguns temas/autores do “entorno” dos problemas, em particular a obra de Badiou/Latouf e alguns textos do Quentin Meillassoux. Se possível, gostaria de acessar os textos e linhas de interesses em desenvolvimento pelo Grupo, além das iniciativas.

    fraterno abraço

    Carlos Araujo
    (68) 9977 0040

  3. Carlos Araujo disse:

    PS: Lembrando que nossa “participação”, por razões óbvias será a distancia.🙂

    abraços

    Carlos Araujo

    • Olá Carlos. Recebemos com grande etusiasmo seu interesse por nossas pesquisas! Queira, por favor, nos mandar seu endereço de email para que possamos vinculá-lo à nossa lista do grupo e à dropbox que contem os textos do semestre.
      Abraço.

  4. Carlos Araujo disse:

    Charles,

    Estou no aguardo da inclusão na Lista, e o endereço do dropbox idem🙂

    abraços

    Carlos

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