Programação para o primeiro semestre de 2013

Em 2013, o grupo de pesquisa Materialismos – Correlacionismo, ontologia e ciência na filosofia contemporânea (CNPq) está alterando sua forma de funcionamento. Criado no primeiro semestre de 2011, o grupo, além de organizar quatro eventos locais e um internacional (a conferência A Virada Ontológica na Filosofia Contemporânea, em outubro de 2012, a primeira de seu tipo no Brasil), manteve desde então um grupo de leitura quinzenal, cujo programa de leituras pode ser visto no site do grupo (www.materialismos.tk).

Durante 2013, o grupo continuará fazendo encontros quinzenais, mas se focará mais na pesquisa feita pelos próprios membros; desta forma, a programação para o primeiro semestre de 2013 consiste no Seminário Aberto de Pesquisa em Andamento/ Materialismos, em que diferentes participantes farão apresentações seguidas de debates. As apresentações buscam relacionar a pesquisa em andamento feita por mebros e convidados com os temas de interesse do grupo; elas podem ser no formato de papers já preparados para outros eventos, aulas, apresentação de livros etc.

Os encontros acontecerão sempre às 14h, na sala 502, prédio 5, nos dias abaixo:

2/abril, terça: Adriano Kurle; Charles Borges

16/abril, terça: Eduardo Luft; Rodrigo Nunes

7/maio, terça: Rodrigo Nunes; Alexandre Pandolfo

17/maio, sexta (extraordinariamente): Larissa Couto; Manuela Mattos

28/maio, terça: Vanessa Nicola; Henrique Doelle

11/junho, terça: a confirmar

25/junho, terça: Norman Madarasz

Todas as sessões são abertas a não-membros do grupo. As apresentações serão de cerca de 45 min, seguidas de meia hora de debate, com um intervalo de 15 min entre elas.

Para saber mais sobre Materialismos – Correlacionismo, ontologia e ciência na filosofia contemporânea:

http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0006701GPX6ISZ
www.materialismos.tk

email para contato: gpmaterialismos@gmail.com.br

A partir dos anos 1980, uma série de polêmicas opôs a filosofia continental contemporânea (e em particular a recepção anglo-saxã do pensamento francês) à ciência, supostamente trazendo à tona uma linha divisória definitiva entre o “realismo cientifico” e o “construtivismo social” “pós-moderno”. Hoje, pode-se ver como a virulência do debate de então acabou por reforçar aquilo que suas posições tinham de pior: de um lado, um endurecimento que, por vezes, sacrificou a auto-crítica e a abertura em favor da afirmação de um realismo empobrecido e de uma visão ultrapassada, reificada, do real funcionamento das ciências; por outro, uma ênfase exagerada na idéia de “construção social” que parecia negar qualquer valor à noção de objetividade, não apenas incapacitando a filosofia na discussão do potencial heurístico da ciência, como isolando-a em pontos cegos em relação as suas próprias pressuposições.

O reconhecimento dos excessos passados, bem como a relevância adquirida por novas áreas de pesquisa científica não necessariamente correspondentes ao paradigma moderno de objetividade, causalidade etc., fazem com que um novo campo se abra para pensar, uma vez mais e de maneira mais produtiva, as relações entre filosofia e ciência, e o que uma pode pensar com a outra. Do lado da filosofia continental, é crescente o consenso de que o dito “pós-modernismo” – que quando da sua nomeação já era um termo inadequado para cobrir uma diversidade grande de posições, muitas das quais jamais aceitaram o rótulo – é um episodio encerrado; e que o programa radical do “construtivismo social” jamais deixou de deparar-se com um “resto” que punha, novamente, à baila noções como objetividade, corpo e matéria.  Existe, em particular, uma tendência crescente a buscar realizar o projeto imanentizador da modernidade através de um repensar do materialismo – onde, justamente, o problema do que vem a contar como “matéria” é o que se torna objeto do esforço filosófico; e se torna a debater a oposição entre uma imanentização pela via correlacionista (que conduz aos diferentes modelos de construtivismo) e uma imanentização pela via materialista (que evitaria, ao mesmo, abraçar qualquer forma de “realismo ingênuo”).

Seja na aproximação com a biologia e a física contemporâneas (Deleuze, Stengers, Ansell Pearson, DeLanda), com a ciência cognitiva e a neurociência (Maturana, Varela, Protevi, Nöe, Malabou, Metzger, Damasio), com as teorias dos conjuntos e das categorias (Badiou), com a questão da ciência e da técnica em geral (Latour, Stiegler), no “realismo especulativo” de Harman, Meillassoux, Brassier e Grant, na revalorização de autores como Bergson, Tarde, Whitehead e Simondon, seja no impacto de autores como tais nas ciências sociais, há hoje uma redescoberta da ontologia e de uma especulação metafísica informada pelos desenvolvimentos científicos mais recentes e em diálogo aberto com vertentes da tradição analítica. Uma tendência que não consiste, evidentemente, em um simples “retorno” – que seria um mero “esquecimento” dos fatores que determinaram as trajetórias por vezes divergentes, por vezes convergentes, de ciência e filosofia, tradição analítica e continental –, mas trabalha rumo a uma redefinição das fronteiras entre essas áreas. E, como não poderia deixar de ser, da própria tarefa da filosofia.

O grupo de pesquisa Materialismos – Correlacionismo, ontologia e ciência na filosofia contemporânea pretende criar, no PPG em Filosofia da PUCRS e com pesquisadores de outras instituições, um espaço de discussão na intersecção entre tradições continental e analítica, onde questões abertas pela filosofia contemporânea possam ser criticamente debatidas.

Mais especificamente, ele busca familiarizar os participantes com alguns debates e autores contemporâneos; e estimular uma cultura de debate, pluralismo e engajamento crítico para além das fronteiras de disciplinas e tradições. Além disso, propõe-se a oferecer um espaço de apoio e intercâmbio para as pesquisas individuais de seus participantes, através de encontros regulares de um grupo de leitura e da promoção de eventos de âmbito local e/ou com a participação de pesquisadores de fora da PUCRS.

MaterialismoS é coordenado pelo Prof. Dr. Rodrigo Guimarães Nunes, professor colaborador e pós-doutorando com bolsa combinada CAPES/PNPD e FAPERGS no PPG em Filosofia da PUCRS (http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhepesq.jsp?pesq=4082055831752880).

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